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Restrição criativa: por que um limite ajuda a ter ideias

Falta de ideia, muitas vezes, é excesso de liberdade. A página em branco pede tudo, e quem tenta dar tudo não escreve nada.
Um romance inteiro sem a letra "e"
Em 1969, o francês Georges Perec publicou La Disparition, um romance de cerca de trezentas páginas escrito sem usar a letra "e", a vogal mais comum da língua francesa. Ele não escreveu apesar da regra. Escreveu por causa dela.
Perec fazia parte do Oulipo, um grupo de escritores e matemáticos que tratava a restrição como ferramenta de criação. Fonte: Georges Perec, La Disparition (Denoël, 1969).
Como a técnica funciona
Um limite escolhido de propósito fecha portas e, com isso, obriga a imaginação a achar a passagem. Cada palavra proibida pede um desvio, e é no desvio que aparece a imagem que você não teria encontrado pelo caminho de sempre.
A regra não inventa a ideia por você. Ela abre espaço para que a ideia chegue. A técnica prepara o terreno; quem planta é a inspiração.
Dois exercícios
1. Cinquenta palavras, nenhuma letra "a". Escreva um microconto com essa regra. Vai parecer impossível nas primeiras linhas, e é aí que ele começa a ficar interessante.
2. Uma história só com perguntas. Nenhuma afirmação. O leitor monta a trama nos intervalos, e você descobre quanto uma narrativa pode dizer sem dizer.
Para continuar
A restrição é uma das mais de 50 técnicas do curso Fora da Caixa. E, se quiser treinar em público, o campeonato de microcontos é o lugar.